O teu corpo conta uma história. Sabes escutá-la?
🎀 Outubro termina. O cuidado não. 🎀
Outubro está a chegar ao fim. Durante este mês, vimos laços cor-de-rosa, campanhas de sensibilização e histórias de coragem. Mas há uma pergunta que merece ficar connosco:
E nos outros onze meses do ano?
Entre o trabalho, a família e os cuidados que dedicamos aos outros, quantas vezes deixamos a nossa própria saúde para depois?
Neste fim de Outubro Rosa, a AyandaBio convida-te a transformar a sensibilização num compromisso que dure o ano inteiro.

Conheces os sinais que o teu corpo te dá?
O corpo raramente fala apenas de uma forma. Às vezes, fala através de alterações visíveis. Outras vezes, através de cansaço persistente, desconforto, dor, mudanças na pele ou sinais que parecem pequenos.
Um nódulo novo, alterações na forma da mama, mudanças na pele ou secreções inesperadas do mamilo merecem avaliação médica, mesmo quando não existe dor.
Conhecer o aspecto habitual das tuas mamas ajuda-te a reconhecer mudanças, mas não substitui a mamografia. A idade e a frequência dos rastreios dependem do teu risco individual e das recomendações do país onde vives. Se identificares uma alteração suspeita, não esperes pelo próximo exame.
A genética conta parte da história. Não a história toda
Quando se fala em risco de cancro da mama, muitas pessoas pensam logo em antecedentes familiares. A história familiar é relevante, mas não explica tudo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a maioria dos casos de cancro da mama ocorre em mulheres sem antecedentes familiares conhecidos da doença. Isto significa que não ter casos na família não elimina o risco.
Por outro lado, algumas alterações hereditárias podem aumentar bastante a probabilidade de desenvolver cancro da mama e outros tipos de cancro. Entre as mais conhecidas estão variantes nos genes BRCA1 e BRCA2. Estes genes ajudam a reparar danos no ADN. Quando certas alterações hereditárias estão presentes, esse processo pode ficar comprometido.
Ainda assim, ter uma predisposição genética não significa que a doença vá surgir. Significa que pode existir um risco aumentado, que merece acompanhamento adequado e decisões mais informadas.
A genética deve ser vista como uma peça do puzzle. Não como o puzzle inteiro.
E o que nos ensina a epigenética?
A genética olha para a sequência do ADN. A epigenética estuda algo diferente: a forma como a atividade dos genes pode ser regulada sem alterar essa sequência.
Uma forma simples de imaginar isto é pensar no ADN como uma biblioteca. Os genes são livros. A epigenética ajuda a perceber que livros estão mais acessíveis, que páginas são mais lidas e que partes ficam mais silenciosas em certos contextos.
A investigação tem identificado alterações epigenéticas envolvidas no desenvolvimento do cancro da mama. Esta área tem crescido muito, porque ajuda a compreender melhor como células saudáveis podem mudar ao longo do tempo e adquirir comportamentos anómalos.
Mas é preciso falar disto com responsabilidade.
A ciência mostra-nos que as nossas escolhas diárias podem influenciar a saúde ao longo da vida. Hábitos como a actividade física regular, uma alimentação equilibrada e a redução do consumo de álcool estão associados a benefícios importantes, incluindo a redução do risco de cancro da mama.
A nossa genética faz parte da história, mas as escolhas que fazemos também têm um papel a desempenhar.

O nosso desafio para os próximos onze meses
Não precisas de mudar toda a tua vida. Começa com três gestos:
Conhece a tua história. Conversa com a família (materna e paterna) sobre antecedentes de cancro.
Escuta o teu corpo. Não ignores alterações e mantém os rastreios recomendados em dia.
Partilha conhecimento. Uma conversa com uma amiga, irmã ou colega pode fazer a diferença.
E lembremo-nos: nem todas as mulheres têm o mesmo acesso a exames, diagnóstico e tratamento. A informação é essencial, mas também precisamos de cuidados de saúde acessíveis.
Um laço é um símbolo. Cuidar é uma acção.
Quando Outubro terminar, os laços cor-de-rosa vão desaparecer de muitas montras e publicações. Mas a tua saúde continuará a merecer atenção.
O Outubro Rosa tem força porque cria espaço para falar. Mas o compromisso não deve ficar preso ao calendário.
Quando o mês termina, continua a haver corpos a pedir atenção. Continuam a existir consultas por marcar, dúvidas por esclarecer, famílias com histórias por reconstruir e pessoas que precisam de se lembrar de que também merecem cuidado.
A mensagem da AyandaBio para este fim de Outubro é clara: a sensibilização é um começo, não um ponto final.
O corpo conta uma história feita de genética, ambiente, hábitos, experiências, silêncios e sinais. Nem tudo está sob o nosso controlo. Mas algumas escolhas podem aproximar-nos de mais conhecimento, melhor acompanhamento e maior tranquilidade.
Escutar o corpo não significa viver com medo. Significa dar-lhe tempo, atenção e resposta.
Que o laço cor-de-rosa não seja apenas um símbolo de Outubro. Que seja um lembrete para o ano inteiro: cuidar de ti também conta.
Na AyandaBio, acreditamos que o conhecimento ganha verdadeiro significado quando se transforma em escolhas conscientes.
Por isso, deixamos-te um desafio:
Não esperes pelo próximo Outubro Rosa para te lembrares de ti.
Porque Outubro Rosa é um mês. A tua saúde merece os doze.

Este texto é informativo e não substitui aconselhamento médico. Em caso de dúvida, o passo mais seguro é falar com um profissional de saúde.
Referencias
Kim, J., et al. (2024). Geospatial disparities in survival of patients with breast cancer in sub-Saharan Africa from the African Breast Cancer-Disparities in Outcomes cohort (ABC-DO): A prospective cohort study. The Lancet Global Health, 12(7), e1111–e1119. https://doi.org/10.1016/S2214-109X(24)00138-4
National Cancer Institute. (n.d.). BRCA gene changes: Cancer risk and genetic testing.https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/genetics/brca-fact-sheet
Prabhu, K. S., et al. (2024). Beyond genetics: Exploring the role of epigenetic alterations in breast cancer. Pathology Research and Practice, 254, 155174. https://doi.org/10.1016/j.prp.2024.155174
US Preventive Services Task Force. (2024). Breast cancer: Screening.https://www.uspreventiveservicestaskforce.org/uspstf/recommendation/breast-cancer-screening
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World Health Organization. (n.d.). Breast cancer. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/breast-cancer




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